Itália detalha rede de apoio usada por Carla Zambelli para se esconder em Roma

A Justiça da Itália revelou, em decisão que autorizou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli, detalhes sobre a estrutura que permitiu sua permanência escondida em Roma após deixar o Brasil.
Segundo a sentença da Corte de Apelação, Zambelli contou com uma rede de apoio organizada, que foi fundamental para viabilizar sua fuga e estadia fora do país enquanto era considerada foragida.
Rede estruturada e apoio familiar
De acordo com os magistrados italianos, a ex-parlamentar não atuou sozinha. A decisão aponta que ela recebeu auxílio direto de familiares, incluindo o marido e o pai, que estariam ao seu lado no momento da detenção.
Além disso, a investigação identificou a utilização de um apartamento alugado na capital italiana, onde Zambelli teria permanecido escondida. A logística da estadia, segundo a Corte, também contou com o suporte de terceiros, caracterizando o que foi descrito como uma situação de “latitância” — termo jurídico usado para definir quem vive em fuga para evitar a Justiça.
Entrada antes de alerta internacional
Outro ponto destacado na decisão foi o momento da saída do Brasil. Zambelli deixou o país antes da inclusão de seu nome na difusão vermelha da Interpol, o que permitiu sua entrada na Itália sem impedimentos.
Para os juízes, o timing indica planejamento prévio, afastando a hipótese de uma viagem casual. A estratégia teria sido determinante para evitar a detecção pelas autoridades internacionais.
Risco de fuga pesou na decisão
A existência da rede de apoio foi considerada um fator central para a negativa de pedidos de liberdade. Na avaliação da Corte, a estrutura montada indicava risco concreto de nova tentativa de fuga, caso Zambelli fosse colocada em liberdade.
Extradição autorizada
Com base nos elementos apresentados, a Justiça italiana autorizou a extradição da ex-deputada para o Brasil, onde ela foi condenada a cerca de 10 anos de prisão por crimes relacionados à invasão de sistemas e falsidade ideológica.
A decisão, no entanto, ainda pode ser contestada nas instâncias judiciais italianas e depende de مراحل finais para sua execução.
Cidadania não impede retorno
Apesar de possuir cidadania italiana, a Corte entendeu que esse fator não impede a extradição, reforçando o entendimento de que o caso atende aos requisitos legais para o envio da ex-parlamentar de volta ao Brasil.
A decisão marca um novo capítulo no caso e reforça a interpretação das autoridades italianas de que a permanência de Carla Zambelli na Europa não foi circunstancial, mas parte de uma estratégia articulada para escapar da Justiça brasileira.



