Alunos de Medicina da USP são acusados de racismo após faixa com indígena pisoteado

Alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) foram acusados de racismo nesta semana após a exposição de uma faixa que mostrava um indígena ajoelhado, pisoteado por uma caveira armada com um fuzil. O cartaz, instalado em frente à sede da Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz (AAOC), gerou forte reação dentro e fora da instituição.
A imagem trazia ainda animais como urso e serpente e a frase “Pela caveira eu dou a minha vida”. Segundo a atlética, a caveira representaria a Medicina da USP e o indígena faria alusão à Medicina da Unifesp, em referência à rivalidade esportiva entre as duas faculdades no Intermed, tradicional competição universitária.
O conteúdo, porém, foi classificado como racista e violento por integrantes do movimento Levante Indígena da USP, que retiraram e destruíram a faixa. Em manifesto, o coletivo repudiou a representação e denunciou que a violência simbólica reforça séculos de opressão contra os povos originários.
> “É inadmissível que a cultura indígena seja usada como mascote ou caricatura, ainda mais em uma situação de humilhação e violência. Isso revela o racismo estrutural que ainda enfrentamos dentro da universidade”, destacou o grupo.
Diante da repercussão, a AAOC divulgou nota pedindo desculpas e afirmou que a intenção era apenas retratar a rivalidade esportiva. “Reconhecemos a falta de sensibilidade e retiramos a faixa assim que fomos alertados. Entregamos o material ao grupo indígena e nos colocamos abertos ao diálogo e ao aprendizado”, disse a entidade.
A direção da Faculdade de Medicina da USP também se posicionou. Em comunicado, declarou que pediu a retirada imediata da faixa e reafirmou que não compactua com manifestações de violência, preconceito ou discriminação.



